Gabriel Orozco, 1995
Elegy for Jane
(My student, thrown by a horse)
I remember the neckcurls, limp and damp as tendrils;
And her quick look, a sidelong pickerel smile;
And how, once startled into talk, the light syllables leaped for her,
And she balanced in the delight of her thought,
A wren, happy, tail into the wind,
Her song trembling the twigs and small branches.
The shade sang with her;
The leaves, their whispers turned to kissing,
And the mould sang in the bleached valleys under the rose.
Oh, when she was sad, she cast herself down into such a pure depth,
Even a father could not find her:
Scraping her cheek against straw,
Stirring the clearest water.
My sparrow, you are not here,
Waiting like a fern, making a spiney shadow.
The sides of wet stones cannot console me,
Nor the moss, wound with the last light.
If only I could nudge you from this sleep,
My maimed darling, my skittery pigeon.
Over this damp grave I speak the words of my love:
I, with no rights in this matter,
Neither father nor lover.
Theodor Roethke
Elegia a Jane
(minha aluna, morta em queda de cavalo)
Lembro das mossas do pescoço, suaves e úmidas como gavinhas;
E o olhar abrupto, riso oblíquo de lúcio;
E de como, uma vez começada a fala, ela saltava as sílabas fracas;
E librava-se no deleite do pensar,
A calda, feliz, de carriça ao vento,
o canto vibrando em ramos, pequenos galhos.
E a sombra cantava com ela;
As folhas, seus sussurros tornados beijos,
E o humo cantava nos alvacentos vales sob a rosa.
Ah, quando triste, lançava-se a tão completo abismo,
Que mesmo um pai não a encontraria:
Esfregando a face na palha,
Turvando a macia água.
Meu pardal, não estás mais aqui,
Esperando como samambaia, abrindo-se em sombra de latada.
O lado úmido das pedras não pode me consolar,
Nem o musgo, ferido de luz última.
Se ao menos eu pudesse espertá-la deste sono,
Meu encanto quebrado, transcorrida lavandeira.
Sobre esta úmida cova digo as palavras de meu amor:
Eu, sem direito algum em questão,
Nem pai nem amante.
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