domingo, 24 de maio de 2009

Que vida não é assombrada?


Antônio Bandeira, Football in Hyde Park



Prorrogação Pessoal do Estádio Oblíquo


para Victor da Rosa


ainda zero a zero

é a final, estádio cheio

você, ponta-de-lança

de raro elenco,

aos quinze do segundo tempo

segue tragando palavrões

no metro, pelo capim

sob um sorriso discreto

até bater nas mãos do

volante de contenção convocado,

enquanto ouve o urro da galera

para o professor:

burro, burro”, e


passa o resto da vida

saindo daquele gramado,


o filme, na cabeça, a repetir

tudo o que você teria jogado

naquela meia-hora sem fim.


que vida não é assombrada

por um calvário assim


num lance ou noutro

nem que por um quarto

de hora escroto?



* * *

2 comentários:

  1. Gostei muito do poema, Ruy, e espero algum dia escrever alguma coisa sobre ele. Coloquei um link no blog, talvez você tenha visto. Abração!

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