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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Se o Ferroviário for, uma era vai junto



Para todos os efeitos, o Ferroviário está acabando. Ou dá indícios disso. Foi a terceira força do estado por oito décadas e nove títulos. O primeiro clube de Fortaleza a possuir um estádio próprio moderno, de alguma envergadura: o Elzir Cabral. O único time da capital amplamente identificado com uma classe trabalhadora, uma categoria profissional: os ferroviários – que, a rigor, não existe mais. Ao menos nos moldes em que existia. O 85º maior clube do Brasil seguindo o ranking da CBF (mas quem liga para rankings?) Bicampeão cearense 1994-95. (Em 94, ano em que o Ceará foi vice-campeão da Copa do Brasil). Orgulho da Barra do Ceará, extremo oeste do litoral de Fortaleza, região de grande impacto histórico e paisagístico, margeando o Rio Ceará.
Até a década de 1950 um significativo contingente de operários trabalhava nas Oficinais das centrais ferroviárias de, em especial, duas cidades cearenses: Fortaleza e Camocim (esta, sede da Estrada de Ferro de Sobral). 
Só em Camocim eram mais de trezentos operários. Vitais para a economia desse porto, à época o mais importante do estado. Num determinado momento, por ocasião da legalidade do PCB, nos anos 1940, dizia-se que o Nordeste possuía dois grandes pólos comunistas: o Recife e Camocim. Mas essa efervescência não perduraria muito. Ao final da década seguinte, o governo de Juscelino deporia toda ênfase no transporte rodoviário. Algo que veio a reboque do interesses das montadoras transnacionais que instalaram-se no ABC paulista. As ferrovias foram deixadas de lado. Começaram a ser sucateadas. Seus serviços decaíram. A maior parte do pessoal foi deslocado para as capitais. Ao final dos anos 50, a central de Camocim foi desmobilizada, e vários ferroviários vieram morar em Fortaleza. Mesmo que o ramal só tenha sido extinto de fato em 1977, o golpe de misericórdia fora dado já à época do governo Juscelino.
Historicamente, esses ferroviários provindos de Camocim, Sobral, Crateús e outras cidades do interior fixaram-se no Bairro da Floresta, oeste da capital, não muito longe da sede do Ferroviário. Muitos foram transferidos para as Oficinas do Urubu, nos arrabaldes a oeste, onde havia uma pequena estação que antecedia Caucaia. No entanto, esses empedernidos operários não descuidaram de seu amor pelo time, de suas raízes interioranas. Tampouco da lida na estrada de ferro. A tudo isso acresça-se certa nostalgia pelos antigos ramais, interioranos, com suas estações cada vez mais espectrando-se nos desvãos do tempo: Sobral, Massapê, Senador Sá, Uruoca, Martinópole, Granja, Camocim. E, a partir de Sobral adentrando-se no Sertão para oeste, afastando-se do curso do Coreaú, e raspando o sopé da Ibiapaba em Ipu, descendo a sul  até Crateús. 
Em décadas mais recentes, quando trens de passageiros eram já realidades limitadas apenas à Fortaleza e municípios metropolitanos, sucessivas más administrações levaram o Ferrim a bancarrota. Logo ele que tinha como diferencial o minimalismo de ser tão bem gerido que, com uma torcida consideravelmente menor que as de Ceará e Fortaleza, era capaz de batê-los regularmente. E até eventualmente ser campeão. 
Porém, ao contrário de seus dois rivais diretos, o Ferroviário Atlético Clube nunca pôde se dar ao luxo de ser mal administrado por um tempo muito longo, como é praxe em ambos os rivais. Em especial, após um ou outro brilhareco sem continuidade, pois jamais conquistaram nada digno de nota em nível nacional. Nestes, a agremiação, além de servir como trampolim - tubo de ensaios para futuros negócios escusos na política (e até nos negócios) - é, no atacado, vampirizada pelas medonhas torcidas organizadas, cujas sedes sociais são mais resplandecentes que as dos próprios clubes. E que contam, evidente, com a leniência criminosa de boa parte da imprensa. E o aval dos clubes mesmos. 
Estranha promiscuidade: os clubes auxiliam aos que lhes retiram renda: as organizadas. Essas torcidas - Cearamor, TUF e congêneres - conformam a própria encarnação da ideia de máfia, poder paralelo. Não que o Ferrim não possua torcidas organizadas, e, no entanto, as suas têm sido desimportantes dentro do próprio universo de torcedores corais, que em si é já reduzido. Então, é necessário tomar dimensão da gravidade do momento. Dessa draga toda, se o Ferroviário quiser escapar. E buscar uma fórmula de mobilização para reverter as recentes derrotas.
O Tubarão da Barra está, de fato, no fundo do poço, em coma, na UTI. Mas não acabou. E, de outro modo, não é apenas por haver caído para a segunda divisão de um campeonato estadual sem lá muito fluxo ou apelo – a rigor só possui dois concorrentes de peso - que se vai deixar de torcer pelo Ferrim. E, sublinhe-se, o Ferrim esteve em 29 finais de Campeonato Cearense. Em quase 30 campeonatos, ele terminou à frente de ou Ceará ou Fortaleza. Será que quem menospreza o Ferroviário desconhece-o?
Ora, sem bile, há algo de boêmio e arriscado, de anômalo em ser Ferroviário. É como viver no exílio. Ou torcer para o Saint Pauli em Hamburgo. Ou para o Wanderers em Montevidéu. Para o Juventus (ou mesmo a Portuguesa) em São Paulo. Para o Galícia em Salvador. Para a Tuna Luso em Belém. Há uma espécie de radicação portuguesa, que compõe com o contingente de migrantes açorianos fixados pela Zona Norte do Estado: principalmente Sobral, Granja, Camocim e as cidades da Ibiapaba. Mas há também um impulso anárquico. Torcer Ferroviário é, acima de tudo, reservar-se o direito de não ser maria, e ir com as outras. De optar pelo terceiro excluído. Nada contra, a não ser, "que tenho outros brios. E nado contra as correntes ao saber distinguir entre democracia e populismo".
Torcedores ilustres de times ditos pequenos são o que não falta. João Cabral de Melo Neto torcia para o América do Recife. E chegou mesmo a jogar lá em categorias de base. Ninguém mais fala nesse clube hoje em dia. Mas João Cabral não virou casaca. E até escreveu poema em que fala das vantagens que existem em nem sempre ganhar, o que torna as vitórias muito mais plenas de valor:

O Torcedor do América F.C. 

O desábito de vencer
não cria o calo da vitória;
não dá à vitória o fio cego
nem lhe cansa as molas nervosas.
Guarda-a sem mofo: coisa fresca,
pele sensível, núbil, nova,
ácida à língua qual cajá,
salto do sol no Cais da Aurora.

Clarice Lispector era Botafogo, apenas a quarta força do Rio, e um time relativamente modesto até começar a ganhar tudo a partir do final dos anos 1940.  E estabelecer a legenda da estrela solitária, que deve ter brilhado um bocado para o lado bruxo, cabalístico de Lispector. Lamartine Babo, que compôs os hinos de todos os grandes clubes do Rio, reservou o mais belo deles para o seu América.
Meu adversário não é meu inimigo. Mais que nunca é preciso entender, aqui, que, longe de mim, a glória e a derrota de meus principais adversários respingam sobre as minhas. Acabar com o Ceará seria matar o Fortaleza. Acabar com o Ferroviário, retirar muito da vida de ambos. Basta lembrar que dois clássicos morreriam abraçados com o Ferrim: o da paz e o das cores. Ou que o Ferroviário cansou de ganhar de Fortaleza e Ceará em circunstâncias diversas, no passado. Às vezes, de sonora goleada. Ou ainda que o tubarão aprontou poucas e boas para cima de Bahias e Vitórias, Sports e Santas, Payssandus e Náuticos. Estamos falando de um time que já bateu o Fluminense. Que em sua fase áurea, na década de 40, não escolhia adversário. Ou, para não ir longe, meteu sete no Bahia em 2006 (7x2).
A lealdade da torcida coral foi sempre maior e mais heróica, mais intangível e honesta que as das outras duas, porque devotada a um time que ganhava bem menos que os outros dois num mundo em que ganhar virou sinônimo de tudo - não importa o estilo. Pelo padrão do Império, o loser fica sem nada, porque como já reforçava o Abba, desde os 70, "the winner takes it all". Quem duvida que havia algo de Henrique V e da Batalha de Agincourt nas vitórias ferroviárias? Para não dizer do balanço da Estrada de Ferro de Sobral em curvas e pontes debruçando-se sobre lagoas e rios de sonho, desde Camocim? Isso era começar a ser Ferroviário. Na ginga monótona e sublime do trem.
Como se não bastasse, saíram do Ferroviário alguns dos jogadores de maior ressonância no futebol brasileiro formados a partir do Ceará: Mirandinha, Jacinto, Jardel, o interminável Mota. Jacinto e Mota, meias talentosos, distribuidores de jogo, foram titulares do Cruzeiro. E há o caso expresso de Jardel. Que jogador formado nas categorias de Ceará e Fortaleza foi tão bem sucedido quanto Jardel, que chegou a botar a malha da seleção? Nem mesmo Iarley. 
O que vem asfixiando o Ferroviário além de más administrações – afinal, times com bem menos torcida e tradição que o Ferrim chegaram a títulos importantes, caso do São Caetano – foi a perda de seu sentido. 
De seu sentido histórico. A dignidade da sua importância e códigos. Exemplo? Havia um hino tradicional e antigo. Foi substituído por um novinho em folha, composto no Paraguay e onde se chama o time de Ferrão. Ora, para o verdadeiro coral, nunca houve problema em chamar o Ferrim de Ferrim. Do contrário, é carinhoso, brasileiro ao extremo, esse diminutivo. (Em Pernambuco o Santa Cruz é chamado de Santinha, soa bonito e local, sem nenhum complexo de inferioridade). Era como, inclusive, os mais antigos - que viveram até mais glórias, títulos e vitórias que nós - chamavam e chamam afetuosamente o time. É como o time é chamado em seu hino original. Algo que escapa à estreiteza bitoladora, redutora de um marketing mais tacanho, ditado a partir do Sudeste. E imitado sem muito brilho - como ocorre ser, por aqui, em outras esferas - por uma crônica esportiva que segue longe de ser a cocada preta - embora haja Sebastiões Belminos, Sérgios Redes na manga, e certa formação de folclore, mitologia, no melhor sentido. 
Além do que, se o Ferroviário acabar – e o clube vem se esforçando para tanto, progressivamente murchando desde 1995, quando foi campeão estadual pela última vez – haverá um rebaixamento geral. Rebaixamento de rivalidades no futebol da cidade de Fortaleza. De sua diversidade. E não me digam que o Horizonte ocupará esse vácuo. O Horizonte sequer é de Fortaleza, e essas coisas não funcionam assim. Haverá um bom assunto a menos. E tudo decairá para aquela bipolaridade estreita, insípida, maniqueísta. Como é em Porto Alegre.

Como usam ser maniqueísmos, bipolaridades.


O primeiro registro fotográfico preservado do time do Ferroviário data de 1938, cinco anos após a fundação do clube, em 9 de maio de 1933.


P.S.
Anteontem, na transmissão de Chelsea x Barcelona, pela Globo, o modo de pôr o hino do Chelsea em acompanhamento de marchinha após o gol foi hilário. Galvão et caterva, aliás, tomaram posse do Barcelona. E já se sentem em casa. É a mais nova aquisição, a mais nova franquia Galvão Bueno & Associados, junto com o MMA, já que a seleção brasileira tem caído significativamente de audiência, e é preciso empreender. Ou fazer de conta que se está ousando, empreendendo. Seja no que for. Entendam, Galvão como narrador é excelente. O que ninguém mais suporta ali é excesso de má patriotada - ou seja, certo excedente de ufanismo jeca - além de um jornalismo chapa branca, deliberadamente desprovido de sobretons críticos. Inclusive em relação à CBF. Ou à pasmaceira e falta de transparência geral que envolve o gerenciamento do futebol enquanto negócio, e que incide sobre a organização da Copa no Brasil. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Paula Ney e o Espírito da Sátira

A Confeitaria Colombo, emblema do Rio Belle-Époque

Quando Morre a Divindade

Francisco de Paula Ney era figura carimbada nos círculos boêmios cariocas ao tempo de João do Rio, Emílio de Menezes, Olavo Bilac, do grande Lima Barreto. Sua presença de espírito era assunto de antologia. Jornalista, também escreveu versos. Mas ninguém lembra dele por isso. Ou talvez, mas sem querer. Indiretamente. É que um vestígio perto de imperceptível de soneto vive muito ao lado da gente. Paula Ney é o autor do mais célebre – e improvável – aposto à Fortaleza: “a loira desposada do sol”. 

Em 2012, Paula Ney acerca a inexistência. Tirante o professor Sânzio de Azevedo, um ou outro erudito por dever de ofício, ninguém mais o lê. Mas há a expressão – que todo mundo adora, e está nos lábios dos fortalezenses. De resto, é tudo que sabemos – quando sabemos – de Paula Ney. E também mal podia antecipar Paula Ney que um século depois de haver escrito mais um soneto aparnasianado, uma prefeita loura – mas não propriamente desposada do sol – iria usar e abusar da expressão em eventos públicos. 

Difícil explicar o porquê dessa loura desposada - e logo de quem - fazer tanto sucesso. Talvez por estar disponível, vá saber. Casar com o sol não requer juiz de paz. Não é casar com o próximo, bem entendido. Ou quem sabe, disponível, mas também bronzeada como manda o figurino. Embora se estivesse casada com o Pedro, o Nogueira, o Luís ou o juiz de paz, não estaria menos. Bronzeada, fique claro. E há por igual o fato de a metáfora para uma cerveja gelada ser uma loura, e vivermos debaixo de um sol de rachar. E não é uma tremenda, deselegante injustiça associar as louras àquele maldoso clichê que envolve testes de QI?


Por outro lado é de admirar que o politicamente correto ainda não haja reivindicado a cabeça do aposto em nome das ruivas, das morenas, das afro-brasileiras, das judias, das teuto-sulamericanas, das ítalo-brasileiras, das albinas, das sírio-libanesas, das descendentes dos povos indígenas, das polacas, das nisseis, das que assoviam mascando chicletes, das que que trazem aquele meio centímetro de queixinho dividido, das que implantaram botox, das que guiam cabriolés... Manuel Bandeira foi mais direto ao ponto quando disse que as "mulheres são lindas, inútil pensar que é do vestido".

Mas, então, contam de Paula Ney que a sua - que não se sabe ao certo se era loura - saiu-lhe ao encalço e antecipando em meio-século a canção de Vanzolini. É Sexta-Feira da Paixão e estamos naquele Rio de Janeiro Belle-Époque. Pode-se ver o filme. A trama é universal, claro. E, aqui, todo homem tem a Penélope que merece. A de Paula Ney, por fim, encontra-o no boteco - que bem podia se chamar Bar da Circe - entre amigos, amigas pandeiros, tangos, fandangos.
Resignado, ele então ergue-se, um pouco trôpego. E ela:
Chico, até no dia em que o Senhor morreu!
E ele:
Querida, veja, quando morre a Divindade, a humanidade cambaleia.

* * *


APPENDIX


O que o fortalezense preza, por vezes sem dar conta, em tipos como Paula Ney é a presença de espírito. Certa saudável molecagem que satiristas como ele e Quintino Cunha abriram por marteladas de humor. Foram eles que cavaram os veios de onde se entrever em certo caráter cearense - aqui, é saudável fintar a palavra identidade - a afinada sintonia com a estação FM do humor e da sátira, depois confirmada na televisão. Logo, não são os arabescos e literatices do texto o que ficou. De um modo misterioso essa presença de espírito, de boêmio profissional, infiltrou-se, deixou algum travo no sensabor desses versos excessivamente estilizados - ou bilaqueanos de um jeito mau. De qualquer modo, segue abaixo o soneto ufanista de onde se extraiu a expressão. O melhor dele, além do consagrado aposto, vem pelo travo incongruente dessas "ondas azuis dos verdes mares" ou desses "matagais" onde paira certo espírito de porco e sátira. O resto está repleto de hóstias de luz, verbenas, pipilos e dormitares, como era praxe à época. Pode-se, de outro modo, ouvir ecos dele em diferentes tempos e letras de música, como na "Praia de Iracema", de Luís Assumpção:



Fortaleza

Ao longe, em brancas praias embalada
Pelas ondas azuis dos verdes mares,
A Fortaleza, a loira desposada
Do sol, dormita à sombra dos palmares.

Loura de sol e branca de luares,
Como uma hóstia de luz cristalizada,
Entre verbenas e jardins pousada
Na brancura de místicos altares.

Lá canta em cada ramo um passarinho,
Há pipilos de amor em cada ninho,
Na solidão dos verdes matagais...

É minha terra! a terra de Iracema,
O decantado e esplêndido poema
De alegria e beleza universais! 



[Estação de Chuvas, 2012]

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Avoir l’eau à la bouche

Gaetano Zampini, 1753

La tapioca au lait

Hoje, a exemplo de ontem, comprei tapioca do pregoeiro de grito longo e agônico. Ele vende tapioca, pamonha e cuscuz. Espertamente quis me cobrar a mais que ontem. Lembrei-lhe o preço. Num sobressalto, disse que estava cobrando pelo cuscuz. Mas, bem, no início mesmo desta semana, havia dito que os dois, cuscuz e tapioca, eram de mesmo preço.
Ladinices de lado, tenho plena consciência de que estou comprando tapiocas ao passado. A uma ocupação que confina a extinção. O exício mais absoluto. E sigo na inteira contramão da sofisticação dos gostos em Fortaleza.
De momento, degustam-se vinhos apenas razoáveis, cafés sofríveis, cervejas para o gasto em outras latitudes, sorvetes e confeitos um tanto inapropriados ao clima, à carne das frutas, à compleição das pessoas. Ou frutas importadas de terceira. Sabemos que tudo isso sobrevêm inflacionado. É vendido caro e sem aferição. E para consumidores ávidos por um selo de aprovação social.
De minha parte – como aquele francês que não passa sem ir à padaria de manhã e voltar com a bisnaga debaixo do sovaco – aprecio cada vez mais essa tapioca que passa gritando à domicílio, na vanguarda da manhã, pelas ruas da Piedade.


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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Suco de Graviola


Piet Mondrian, Chrysanthemum, 1909

Epifania Matinal

Hoje pela manhã tomei suco de graviola, desses em caixa. E quando meu olho deu com a embalagem, constatei que havia sido envasado em Palmeira dos Índios. Houve um tempo em que até um alfinete, um grampo, uma tamanca de freio de bicicleta eram feitos em São Paulo. O que dizer de alimentos beneficiados.
Saboreei com mais vagar aquele suco.
Depois fui até a estante. E retirei o volume com as obras completas de Graciliano.

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