sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Saiba Como


Roy Lichtenstein, 1995

hoje, em qualquer lugar, há dicas e sugestões sobre os excessos que os noivos devem evitar. ou sobre carícias que os casais podem lançar mão no dia dos namorados, num quarto de hotel reservado, todinho para eles, à beira-mar, a contemplar um navio adernado. e saber se rende mais, dependendo do calado, do porto ou do porte, pôr primeiro esta ou aquela perna, acima ou abaixo da perna da consorte. e todo um catálogo de posturas para se kamasutrar até de manhã. ou que parte descer (ou subir) primeiro no tobogã. hoje, ainda que você não seja ansioso por informação, a ponto de pedir licença - pelo sim, pelo não - para ir ao toalete conferir no iphone se a ocasião fez o ladrão, ou se o verão, enfim, foi feito pela andorinha; você, insano, já nem sabe mais qual dica lhe dá mais tesão, e qual é mais erva-daninha: há um incomensurável acervo de dicas e sugestões em linha. em linha, e com um anzol. e elas ensinam a carícia mais criativa a qualquer otário, a melhor forma de vedar-se sob o lençol, além de, claro, o padre nosso ao vigário. e a todos como se vestir, sem precisar entrar no armário. e, no dia a dia dos namorados, a se despir dançando um samba, mais maneiro, amaciado que uma chinchila em cochabamba. e, depois, que bela trama, como transar, rezar e marcar um gol de placa – detalhe: sem fazer pipi na cama.  

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