segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Num determinante momento


Yane Marques durante uma prova de esgrima do pentatlo moderno

Num determinado momento da Olimpíada, um pai e sua filha de nove anos assistiam a uma partida de vôlei feminino em um restaurante de Fortaleza. E o pai, visivelmente entediado - ou quem sabe querendo assistir o Brasileirão - tinha de ficar, porque a menina estava tão envolvida com a transmissão que seria um pecado interromper-lhe a torcida.
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Nesta Olimpíada, mais importante do que o resultado geral, foi o fato de um considerável número de medalhas ter sido obtido não só por atletas do Nordeste, mas que fizeram sua preparação sem sair do Nordeste. E, para completar o pacote da boa nova, de serem mulheres: Sarah Menezes, Yane Marques, Adriana Araújo, Juliana Silva¹. E a elas se juntam as garotas do vôlei: Dani Lins e Jaqueline Carvalho.
A auto-estima da região agradece.
E basta revisar o biotipo dessas mulheres de fibra para perceber o fato de o Nordeste ser uma sociedade multiracial e multicultural, em essência. E talvez a mais antiga delas, e não só no Brasil. Onde há espaço e tempo para todas as etnias. E, desde sempre, para a composição entre elas.
Mas tudo isso é só um primeiro indício de como será o país quando superar a barreira das desigualdades econômicas e interregionais: será mais seguro, acessível, viajável, justo, ainda mais composto e verdadeiramente federado.
E, evidente, muito menos presa de estereótipos.


¹Juliana Silva, nascida em Santos, de família cearense, retornou com meses de idade para Fortaleza, onde vive e treina.

2 comentários:

  1. Linda e justíssima homenagem!

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  2. mas vocês todas brasileiras, do norteste ou não, merecem mais do que isso, claro!

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