domingo, 26 de setembro de 2010

Bem me quer, mal me quer: Creeley

Otto Piene, Flower of Orange Fire, 1967


The Flower


I think I grow tensions
like flowers
in a wood where
nobody goes.

Each wound is perfect,
encloses itself in a tiny
imperceptible blossom,
making pain.

Pain is a flower like that one,
like this one,
like that one,
like this one.


Robert Creeley




A Flor

Acho que cultivo tensões
como flores
num bosque onde
ninguém vai.

Cada chaga, perfeita,
reveste-se em um tênue,
imperceptível botão,
causando dor.

Dor é uma flor como esta,
como esta,
como aquela,
como esta.


* * *

O oco do tempo nos favos do relógio: Celan

Sheila Hicks, Blue Letter, 1959





Mit Brief und Uhr


Wachs,
Ungeschriebnes zu siegeln,
das deinen Namen
erriet,
das deinen namen
verschlüsselt.

Kommst du nun, schwimmendes Licht?

Finger, wächsern auch sie,
durch fremde,
schmerzende Ringe gezogen.
fortgeschmolzen die Kuppen.

Kommst du, schwimmendes Licht?

Zeitleer die Waben der Uhr,
bräutlich das immertausend,
reisebereit.

Komm, schwimmendes Licht.


Paul Celan



Com Carta e Relógio


Cera,
para selar o não escrito
que adivinhava
teu nome,
que o guardava
sob cifra.

Virás agora, luz sobrenadante?

Dedos, também encerados,
através de estranhos,
dolorosos anéis extraídos.
As bordas derretidas.

Virás agora, luz sobrenadante?

Oco do tempo nos favos do relógio,
milhares de abelhas acasalam,
em ponto de partida.

Luz sobrenadante, vem.


* * *


Para Gratidão


[s/i/c]


Eles Têm




Esta vai tão-só para agradecer os que me enviaram livros e revistas recentemente, como Luci Collin, Virna Teixeira, Everardo Norões, Renato Mazzini, Ednardo... 

Livros de capa, papel possuem o calor que esta postagem não tem. 


*   *   *

sábado, 25 de setembro de 2010

Quando um dia a vantagem for água

Per Kirkerby, New Shadows III, 1996




Lavanda


a vantagem de si tira vantagem
a onda quebra sobre a praia

quando um dia a vantagem for água
sua onda da praia fará o nada

onde estão o molde de teu pé
tua sombra, o galho seco

com que riscavas a areia
esparsamente úmida

das gostas caídas de teu corpo



*   *   *


Empacotamos o breu: Celan


Paul Klee, Blumengarten, 1924





Blume


Der Stein.
Der Stein in der Luft, dem ich folgte.
Dein Auge, so blind wie der Stein.

Wie waren
Hände,
wir schöpften die Finsternis leer, wir fanden
das Wort, das den Sommer heraufkam:
Blume.

Blume—ein Blidenwort.
Dein Aug und mein Aug:
sie sorgen
für Wasser.

Wachstum.
Herzwand um Herzwand
blättert hinzu.

Ein wort noch, wie dies, und die Hämmer
schwingen im Freien.


Paul Celan



Flor

A pedra.
A pedra no ar, que eu sigo.
Teu olho tão cego quanto a pedra.

Nós somos
mãos,
nós empacotamos o breu vazio, achamos
a palavra que soergueu o verão.

Flor – a palavra de um cego.
Teu olho e meu olho:
eles vêem
para água.

Crescimento.
Parede após parede do coração
lhe somam pétalas.

Mais uma palavra como esta, e os martelos
baterão ao relento.


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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Parece que hoje tem eleição, né?

















Still de Election, filme do norte-americano Alexander Payne, 1999



Dia de Eleições

Se o vice-versa é claro, há muita coisa na sociedade brasileira que soa ser mais auspicioso que na britânica, sem dúvida. 

No entanto, há algo magistral na deles. De causar inveja: votar não só não é obrigatório, como sequer é feriado num dia de votação. Vota quem quer e bem entende. E isso parece ser mais democracia.

Praticamente não há poluição visual, sonora nas cidades. Carros de som seriam apreendidos na mesma hora pela Scotland Yard. O dia de eleições mais se parece com qualquer outro dia do calendário.

Falar a verdade, lembro de haver visto um único, avulso, outdoor, durante certas eleições parlamentares. 

Provavelmente de um candidato que sequer se elegeu...


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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

vestido ao estilo de teu silêncio: Celan
















[s/i/c]

UNTEN


Heimgeführt ins Vergessen
das Gast-Gespräch unsrer
langsamen Augen.

Heimgeführt Silbe um Silbe, verteilt
auf die tagblinden Würfel, nach denen
die spielende Hand greift, groß,
im Erwachen.

Und das Zuviel meiner Rede:
angelagert dem kleinen
Kristall in der Tracht deines Schweigens.

Paul Celan



ABAIXO

Conduz a casa ao esquecimento
a sociável conversa de nossos
lentos olhos.

Conduz a casa, sílaba após sílaba, dividida
entre os dados cegos ao dia, os quais
as mãos lançantes atingem, vastas,
ao despertar.

E o excesso em minha fala:
empilhada ao redor do miúdo
cristal vestido ao estilo de teu silêncio.



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A dança dos números: disperse-se


[s/i/c]


Mancheias de Manchetes




Bem entendido, não se pode crer que a idiotia, em certos casos, esteja presente tão-só nos diários regionais. A edição da Folha Online de hoje conta, na capa, com  cerca de 125 chamadas para notícias. Pode-se gastar o tempo de ler o jornal,  lendo-se apenas as manchetes. Por que profusão? Isso lembra "os perigos do número", de que já falava Simone Weil. 


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Receita para desenfezar pai brabo: colunas, coluna





Miolo de Boi, Milho de Canjica Branca & Açúcar Cristal


Uma das carecterísticas marcantes dos dois diários de maior circulação em Fortaleza é o excesso de colunas. Provavelmente são os periódicos mais "colunizados" do país. Sozinhas essas colunas sustentariam o Partenón. 
Não falo em detrimento de umas poucas que são de fato relevantes, bem escritas. Nem segue aqui qualquer derrisão pelas tradições religiosas afro-brasileiras. Porém, por exemplo, na coluna mais recente de Mãe Jussara [Ocultismo], em O Povo, se encontra o seguinte diálogo entre certa leitora do Crato e a colunista:



LUDIMILA – Crato – CE: Mãe Jussara, meu pai é alcoólatra e muito violento. Gostaria muito de fazer algo para...
No caso dele, especificamente, faça o seguinte: em uma tigela branca coloque um miolo de boi com o nome de seu pai escrito a lápis oito vezes. Em cima, milho de canjica branca bem cozida e escorrida. Cubra tudo com açúcar cristal, leve à beira de uma água corrente, lugar bem limpo, acenda uma vela e peça a Oxalá para acalmá-lo, amansá-lo








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Sem comentários.

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A gente faz o que o coração dita















"Mas esse mundo é feito de maldade, ilusão"

Faz lembrar o verso acima, de Caymmi, em "Saudades da Bahia", a cândida ingenuidade dos torcedores do Ceará Sporting: julgar que estavam disputando vaga na Libertadores. 
Os times da Série A de fato acordaram para o Brasileirão depois da Copa. E o Ceará voltou a certo princípio de realidade. De momento segue já em oitavo, com amplas possibilidades de resvalar para mais baixo, uma vez que a rodada encerra só hoje. E já vai pelo quarto treinador - o terceiro recrutado depois da reles campanha pós-Copa. 
E de quem se trata esse treinador? Dimas Filgueiras, o nome menos surpreendente para comandar um alvinegro que deverá nadar bastante contra a corrente, se não quiser chegar às últimas rodadas rondando o rebaixamento. O simples fato de o técnico que havia começado a "gloriosa" campanha haver preterido o Ceará na primeira colocação por um Vasco na zona da degola, durante o interlúdio da Copa, diz tudo. Mas o entusiasmo do fortalezense com futebol não arrefece. Isso tem seu quê de beleza. Aqui, o princípio de realidade é deixado de lado. Em nome da ilusão. E de um pouco de ilusão alimenta-se a vida. 


Mas nem tanto. 



P.S. - por tudo isso, compreende-se a "euforia" da manchete hoje, na capa de O Povo ante um simples empate com o Vitória, em Salvador, num dos jogos mais horrendos de assistir desta temporada: "Empate que valeu à pena" [sic], assim com crase. Quem sabe para reforçar mais a pena valida. 


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Semiótica de Botequim

















[s/i/c]


Si

Se a palavra não fosse importante para a música, o nome de uma música (mesmo instrumental) não seria uma palavra.


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Desagravo à moda antiga












[s/i/c]

Com um Leve Acento & um Coldre


Dias desses, presenciei uma pérola de exercício dos direitos da cidadania. Pagando uma taxa no subsolo de um magazine, no Centro, havia lá aquela moderada, mas morosa, fila. E, em contraponto, certo sujeito que se achegou direto ao balcão, postando-se atrás dos atendidos da vez, sem a mediação da fila. 
Um sujeito mais sanguíneo gritou da fileira - gritar é uma modalidade de falar baixo em Fortaleza, onde tudo são berros: 
-Vai furar a fila, mesmo, rapá?
-Olha, sujeito, faço pagamentos aqui todo mês; e fique aí, fique na sua! 
E uma das caixas, voltando-se para o da fila:
-Ele é cliente preferencial, porque vai pagar com o X-cartão - o cartão de crédito da loja. 
-Desculpe! - disse o da fila meio jururu.
-Cuide da sua vida, cabra! - disse o portador do X-cartão, com um leve acento caririense, enquanto soerguia um pouco a camisa, o suficiente para nos cós das calças entrever-se o coldre do revólver. 
O suficiente para a fila quedar-se em silêncio. E uma quase imobilidade.


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Poder & Prazer

Robert Gober, Untlitled, 1991



Muito Prazer

É claro que sentir prazer é fundamental na vida de qualquer pessoa. O perigo é quando esse prazer confunde-se com a necessidade de cortejar uma forma de poder. Seja ela qual for.

Mais do que nunca vivemos numa época em que poder e prazer comprazem-se. Parecem indissociáveis para a maioria. Uma maioria míope. Pois os verdadeiros prazeres encerram-se em pequenas coisas, quase secretas de tão quotidianas. 


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Adeus, caro Suspense

[s/i/c]



Que não caem todo dia


Mesmo quando não se tem lá grande interesse por política institucional -  afinal há tanta coisa na vida mais interessante com que se ocupar; e coisas até mais políticas, no senso estrito - é fácil perceber a exasperação das editorias de política na grande imprensa quando se pressente que um(a) candidato(a) segue bem adiante dos demais e, muito provavelmente, o segundo turno está fadado ao beleléu. 

Algo do suspense das telenovelas, linguagem, afinal definidora até do que se escreve sobre política, dissipa-se no ar. 

Eis porque escândalos são buscados como gemas escassas num rio cujo cascalho já segue quase exaurido de seus veios diamantíferos. As revistas semanais, Veja, em particular, exemplificam melhor que ninguém essa tendência. 

Para os grandes conglomerados de comunicação, a vitória imediata, no primeiro turno de um(a) candidato(a), lhes retira boa parte do poder de barganha de que dispõem. Minguando-lhes polpudos, potenciais lucros que não caem no cofre-forte todo dia. 




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sábado, 4 de setembro de 2010

Medidas de tempo


[s/i/c]



Para uma antologia de números equívocos


Lê-se muito disparate nas edições de O Povo e do Diário. A pressa da informação embaralha. Na edição de O Povo, deste sábado, em certa coluna usualmente bem escrita, lá está:

"A Troller vende por mês cerca de 1.500 carros por ano".


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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Blowing through Brazil


Bob Dylan, Bahia, 2009



Dylan, Elis Regina e o Brasil

Alguns podem ainda desconhecer, mas Bob Dylan nutre uma sorte de fascínio pelo Brasil. Em um seu programa de rádio, anos atrás, ele desmancha-se em elogios a Elis Regina. Está no Youtube, bem aqui:


E, mais recentemente, julho passado, convidado a expor seus quadros - ele pinta desde muito jovem - num renomado museu de arte de Copenhague, Dylan optou por um grupo de 13 obras a que denominou: The Brazil Series. Os 13 quadros - alguns dos quais guardam uma marcante semelhança com o estilo de Matisse - podem ser vistos aqui:




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Em uma ou três semanas


Juan Brossa, Vampir, 1989


Jornalismos, Vampirismos, Detetivagens em Dois Palitos de Porrinha



I.

Impressiona o destaque dado à violência nos dois diários locais. Algo que vaza para quase todas as seções ou editorias. É sangue e contrafação em excesso para matar a sede dos leitores. Nenhuma reflexão mais acumulada, consequente. Apenas sangue quente. Jorrando. Tome-se a capa da edição virtual de hoje em ambos, ao romper do dia, 5hs40min:


No O Povo: “Portugueses são presos no aeroporto com cocaína amarrada às pernas”; “Homem é encontrado morto com perfurações à bala em Aquiraz”; “Policial é atingido por tiro acidental disparado por colega do Ronda”; “Condenados por crime hediondo podem cumprir mais tempo na cadeia”; “Ministério Público vai investigar morte de operário em obra do Porto do Pecém”; “Prisão de autoridades deixa Dourados, em Mato Grosso do Sul, sem governo”; “Duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas nas últimas 24h nas rodovias do CE”; “IBGE: taxa de homicídios cresce 49,3%”; “Vídeo de menina jogando filhotes no rio causa revolta na internet”.


No Diário do Nordeste: “Caso Cearamor: PM diz sofrer ameaças”; "Patrulha tem pistas de ladrão de carro"; “Bandido morto usava cinto com 2 armas”; “DDF captura jovem acusado de fraudes”; “Homicídios cresceram 32% em 15 anos”; “Receita admite falsificação em procuração”; “PF prende prefeito e vereadores de Dourados”; “Homem faz 3 reféns na TV Discovery”; “Assista ao flagrante policial na Gentilândia!”.


São 9 chamadas em cada capa. O que apenas aponta para uma concisão maior nas manchetes do Diário. E há ainda a mais bizarra delas: a manchete de O Povo com esses vagos "filhotes" jogados no rio. Os especialistas em vendas e marketing, em ambos, no entanto, bem sabem o que, de fato, vende jornal.



II.

Pode-se ir buscar a origem dessa tendência vampiresca nos primeiros jornais da modernidade, publicados em Londres à época da Rainha Vitória, quando a repressão da sexualidade aguçava a sede por essa sorte de notícias. Mas, de lá para cá, de um ou de outro modo, elas sempre estiveram por aí, em destaque ao longo dos anos.

O artista moderno, anônimo, diluído na multidão, surgiu justamente ao tentar achar certos rastos (ou o próprio rosto) como um detetive. O filme 'noir' acrescentou a essa tendência certa dimensão de humor, glamour, desfaçatez, mas também uma calculada e, por vezes, invertida misoginia. Assim como de humor negro estão repletos algumas das melhores realizações de Tarantino, dos irmãos Cohen.

A figura do detetive, à sua vez, está no embrião da modernidade detectada por Benjamin na Paris de meados do Sec. XIX junto com outras figuras emblemáticas: o flâneur; o dândi; o homem sanduíche; o terrorista; o conspirador profissional; o fotógrafo de portraits retocados; o boêmio; o poeta endividado, nômade urbano, consumindo ópio, haxixe, absinto; o grande financista; o escritor melancólico que reconstitui cada mínimo detalhe até o caminho de Swann...


Mas o detetive.


Ele é figura chave. História, em grego [ἱστορία] não quer dizer mais do que "investigação", "inquérito". Não propriamente apenas desses crimes, que as manchetes dos jornais vertem sobre nossas cabeças, dia após outro, como duchas quentes. E que, volta e meia, provocam tanta comoção, tanta indignação.

Totalmente esquecidas uma ou três semanas depois.


* * *


carne e sopro e estamos rentes: O'Hara


Stephen Antonakos, Incomplete Circle, 1975



Poem


When I am feeling depressed and anxious sullen

all you have to do is take off your clothes

and all is wiped away revealing life’s tenderness

that we are flesh and breathe and are near us

as you are really as you are I become as I

really am alive and knowing vaguely what is

and what is important to me above the intrusions

of incident and accidental relationships

which have nothing to do with my life


when I am in your presence I feel life is strong

and will defeat all its enemies and all of mine

and all of yours and yours in you and mine in me

sick logic and feeble reasoning are cured

by the perfect symmetry of your arms and legs

spread out making an eternal circle together

creating a golden pillar beside the Atlantic

the faint line of hair dividing your torso

gives my mind rest and emotions their release

into the infinite air where since once we are

together we always will be in this life come what may


Frank O’Hara



Poema


Quando me sinto deprimido e ansiosamente sombrio

tudo que você tem a fazer é tirar a roupa

e tudo desvanece a revelar a ternura da vida

pois somos carne e sopro e estamos rentes

e como você é mesmo você eu me torno eu

mesmo vivo e conhecendo vagamente o que há

e o que me é importante acima das intromissões

das relações acidentais ou incidentais

que nada tem a ver com minha vida


quando estou na tua presença sinto que a vida pode

e irá derrotar todos os inimigos dela e os meus

e os teus e você em si e eu em mim

somos curados da doentia lógica e do tênue tirocínio

pela perfeita simetria de teus braços e pernas

distendidos conformando um eterno círculo

criando um pilar áureo ladeando o Atlântico

a escassa linha de pelos dividindo teu torso

dá à minha vida sossego e emoções e alarga

no ar infinito pois uma vez que estamos juntos

juntos estaremos sempre nesta vida venha o que vier



* * *