domingo, 26 de setembro de 2010
Bem me quer, mal me quer: Creeley
O oco do tempo nos favos do relógio: Celan
Para Gratidão
Eles Têm
sábado, 25 de setembro de 2010
Quando um dia a vantagem for água
Empacotamos o breu: Celan
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Parece que hoje tem eleição, né?
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
vestido ao estilo de teu silêncio: Celan
lentos olhos.
* * *
A dança dos números: disperse-se
[s/i/c]
Mancheias de Manchetes
* * *
Receita para desenfezar pai brabo: colunas, coluna
Miolo de Boi, Milho de Canjica Branca & Açúcar Cristal
A gente faz o que o coração dita

Semiótica de Botequim
[s/i/c]
Si
Se a palavra não fosse importante para a música, o nome de uma música (mesmo instrumental) não seria uma palavra.
* * *
Desagravo à moda antiga
[s/i/c]
Com um Leve Acento & um Coldre
Poder & Prazer
Muito Prazer
* * *
Adeus, caro Suspense
Que não caem todo dia
* * *
sábado, 4 de setembro de 2010
Medidas de tempo
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Blowing through Brazil

Em uma ou três semanas

Jornalismos, Vampirismos, Detetivagens em Dois Palitos de Porrinha
I.
Impressiona o destaque dado à violência nos dois diários locais. Algo que vaza para quase todas as seções ou editorias. É sangue e contrafação em excesso para matar a sede dos leitores. Nenhuma reflexão mais acumulada, consequente. Apenas sangue quente. Jorrando. Tome-se a capa da edição virtual de hoje em ambos, ao romper do dia, 5hs40min:
No O Povo: “Portugueses são presos no aeroporto com cocaína amarrada às pernas”; “Homem é encontrado morto com perfurações à bala em Aquiraz”; “Policial é atingido por tiro acidental disparado por colega do Ronda”; “Condenados por crime hediondo podem cumprir mais tempo na cadeia”; “Ministério Público vai investigar morte de operário em obra do Porto do Pecém”; “Prisão de autoridades deixa Dourados, em Mato Grosso do Sul, sem governo”; “Duas pessoas morreram e 15 ficaram feridas nas últimas 24h nas rodovias do CE”; “IBGE: taxa de homicídios cresce 49,3%”; “Vídeo de menina jogando filhotes no rio causa revolta na internet”.
No Diário do Nordeste: “Caso Cearamor: PM diz sofrer ameaças”; "Patrulha tem pistas de ladrão de carro"; “Bandido morto usava cinto com 2 armas”; “DDF captura jovem acusado de fraudes”; “Homicídios cresceram 32% em 15 anos”; “Receita admite falsificação em procuração”; “PF prende prefeito e vereadores de Dourados”; “Homem faz 3 reféns na TV Discovery”; “Assista ao flagrante policial na Gentilândia!”.
São 9 chamadas em cada capa. O que apenas aponta para uma concisão maior nas manchetes do Diário. E há ainda a mais bizarra delas: a manchete de O Povo com esses vagos "filhotes" jogados no rio. Os especialistas em vendas e marketing, em ambos, no entanto, bem sabem o que, de fato, vende jornal.
II.
Pode-se ir buscar a origem dessa tendência vampiresca nos primeiros jornais da modernidade, publicados em Londres à época da Rainha Vitória, quando a repressão da sexualidade aguçava a sede por essa sorte de notícias. Mas, de lá para cá, de um ou de outro modo, elas sempre estiveram por aí, em destaque ao longo dos anos.
O artista moderno, anônimo, diluído na multidão, surgiu justamente ao tentar achar certos rastos (ou o próprio rosto) como um detetive. O filme 'noir' acrescentou a essa tendência certa dimensão de humor, glamour, desfaçatez, mas também uma calculada e, por vezes, invertida misoginia. Assim como de humor negro estão repletos algumas das melhores realizações de Tarantino, dos irmãos Cohen.
A figura do detetive, à sua vez, está no embrião da modernidade detectada por Benjamin na Paris de meados do Sec. XIX junto com outras figuras emblemáticas: o flâneur; o dândi; o homem sanduíche; o terrorista; o conspirador profissional; o fotógrafo de portraits retocados; o boêmio; o poeta endividado, nômade urbano, consumindo ópio, haxixe, absinto; o grande financista; o escritor melancólico que reconstitui cada mínimo detalhe até o caminho de Swann...
Mas o detetive.
Ele é figura chave. História, em grego [ἱστορία] não quer dizer mais do que "investigação", "inquérito". Não propriamente apenas desses crimes, que as manchetes dos jornais vertem sobre nossas cabeças, dia após outro, como duchas quentes. E que, volta e meia, provocam tanta comoção, tanta indignação.
Totalmente esquecidas uma ou três semanas depois.
* * *
carne e sopro e estamos rentes: O'Hara

When I am feeling depressed and anxious sullen
all you have to do is take off your clothes
and all is wiped away revealing life’s tenderness
that we are flesh and breathe and are near us
as you are really as you are I become as I
really am alive and knowing vaguely what is
and what is important to me above the intrusions
of incident and accidental relationships
which have nothing to do with my life
when I am in your presence I feel life is strong
and will defeat all its enemies and all of mine
and all of yours and yours in you and mine in me
sick logic and feeble reasoning are cured
by the perfect symmetry of your arms and legs
spread out making an eternal circle together
creating a golden pillar beside the Atlantic
the faint line of hair dividing your torso
gives my mind rest and emotions their release
into the infinite air where since once we are
together we always will be in this life come what may
Frank O’Hara
Poema
Quando me sinto deprimido e ansiosamente sombrio
tudo que você tem a fazer é tirar a roupa
e tudo desvanece a revelar a ternura da vida
pois somos carne e sopro e estamos rentes
e como você é mesmo você eu me torno eu
mesmo vivo e conhecendo vagamente o que há
e o que me é importante acima das intromissões
das relações acidentais ou incidentais
que nada tem a ver com minha vida
quando estou na tua presença sinto que a vida pode
e irá derrotar todos os inimigos dela e os meus
e os teus e você em si e eu em mim
somos curados da doentia lógica e do tênue tirocínio
pela perfeita simetria de teus braços e pernas
distendidos conformando um eterno círculo
criando um pilar áureo ladeando o Atlântico
a escassa linha de pelos dividindo teu torso
dá à minha vida sossego e emoções e alarga
no ar infinito pois uma vez que estamos juntos
juntos estaremos sempre nesta vida venha o que vier
* * *













