Dorothea Lang, The Road West, New Mexico, 1938

Sedex ou Carta Registrada?
Há já uma distância entre esta sala de agência de publicidade e este cartão com a reprodução de um quadro de Lowry, que releio de novo. E de novo me vem a imagem de jangadas na Enseada do Mucuripe, as miúdas lavandeiras passeando em volta:
“É pra mandar por Sedex ou carta registrada?”, me pergunta o office-boy.
São quase três e meia da tarde. E Miles Davis despeja um assurdinado “I Fall in Love too Easily” na sala da agência.
Eis o meio-ambiente ideal para se pensar na morte da bezerra. Ou de uma manada delas. Ou então, se é ou não razoável responder a este cartão que a moça me mandou desde Manchester.
Revejo o frio dia de outono. E chegar a Piccadilly Station para uma estação de águas no olhar dela. E logo ambos seguindo até pequenas livrarias escondidas em porões. A loja de stationery, o bazar arranchado no velho prédio vitoriano de esquina. O pistácio escorrendo sobre o pudim; as cadeiras altas num balcão debruçado sobre a rua. O anoráqui púrpura e as gastas botas verdes que ela usava. Ela me presenteando com uma edição do Lucky Jim, de Amis, comprado num pequeno sebo. A meditação das vidraças. Os jornaleiros apregoando o Mirror, com vozes tão distorcidas. Como são adoráveis os pregões em qualquer cidade do mundo. As lojas de caridade – a Oxfam, onde chapéus do Equador custavam a bagatela de quinze libras. As de roupas usadas, e ela comprando um colete verde, de curdorói.
Ao centro da praça a estátua da Rainha Vitória sempre constipada, com seu véu na cabeça e as generosas bochechas, sob aquela chuva fina e o dia gris.
E então estamos na galeria de arte, sob um relógio austero, subindo as escadarias até dar no salão onde os homens-palito de Lowry passeiam sua solidão desconjuntada por uma cidade vermelha e sem remissão. Ela sentada, tão quieta, artesã de silêncios, contemplando por entre arcos três salões iluminados em diferentes intensidades. Bastante, bastante quieta. Uma ruminação de séculos.
Mais adiante, estamos no ônibus para Longsight. E logo fazendo compras num mercado indiano. Barganhado teatralmente. Voltando para casa com duas garrafas de vinho romeno. Cozinhando. Jantando, rindo, brincando com Dizzy, o bichano. Tramando acordes de bossa nova num pequeno violão de cravelhas rijas, impossível de afinar. E nos despindo sob uma profusão de cobertas no aconchego do quarto aquecido por inércia: a samambaia-cabelo-de-moça no peitoril da janela quando o dia amanhecia, tarde, por meio de uma luz oblíqua e cinza:
“Por Sedex, por favor”, respondo, enquanto afixo o cartão no painel de cortiça.
* * *

Palavra-passe
Madrugada,
o desassossego corta
finas fatias de silêncio
e passos pulsam
no coração suavíssimos.
Das ameias já quase
se divisa alvorada;
os olhos veem verdade
e tudo que busco
verte-se corpo afora
como uma palavra-passe
que antecede cidade.
Abraço madrugada.
Beijo os olhos lentos, espalmo
dedos por toda dobra, parte,
cada: ilhas, segredo.
E lhe digo:
—me dê uma senha!
Mas ela comprime os olhos,
ameaça abrir dia,
sorri só lábios
e diz baixinho—
brasa de breu
na última lenha,
o verniz sofreado:
—não há senhas!
* * *

'I many times thought Peace had come'
I many times thought Peace had come
When Peace was far away --
As Wrecked Men -- deem they sight the Land --
At Centre of the Sea --
And struggle slacker -- but to prove
As hopelessly as I --
How many the fictitious Shores --
Before the Harbor be –
Emily Dickinson
'Tantas vezes pensei que a Paz tinha chegado'
Tantas vezes pensei que a Paz tinha chegado
Quando tão distante estava –
Como náufragos – em erro veem o litoral divisado
No meio do mar alto
E esforçam-se em vão – por sinais
Tão desolados quanto os meus,
Em provar: há tantos fictícios litorais
Antes do porto.
* * *

ii.
“É o social que lança sobre o relativo a cor do absoluto. O remédio está na ideia de relação. A relação sai violentamente do social. É monopólio do indivíduo. A sociedade é a caverna, a saída é a solidão. A relação pertence ao espírito solitário. Multidão alguma concebe a relação.” [ p. 180]
iii.
“Seria preciso que o futuro chegasse sem deixar de ser futuro. Absurdo que somente a eternidade cura”. [ p.22]
A Pessoal Impessoalidade do Mago das Seis Cordas
-Ou Baden Powell e a possessão pela música
Roberto Baden Powell de Aquino, o garoto de Varre-Sai, cidadezinha do norte fluminense, quase no Espírito Santo, parece ter sido tocado por esse Espírito e varrido com seus dedos de mago com tamanho amor as seis cordas de seus robustos violões Hopf, desenhados especialmente para ele, que quase é preferível nada dizer, senão ouvi-lo. Em 26 de setembro próximo, e nove anos que ele nos deixou. Mas também nos deixou a inconfundível beleza de sua música.
Não é fácil explicar Baden. Ele sempre caminhou entre muitas fronteiras. Entre popular e erudito. Entre choro e Bach – um pouco ao modo de Villa-Lobos. [Mas de um Bach abrasileirado até a raiz dos cabelos]. Entre a Europa e os Afro-Sambas. Entre o romantismo derramado de Chopin e a imobilidade contemplativa, minimalista, calcada nas progressões de escalas, contrapontos e fugas da música barroca. Entre a compaixão cristã e o animismo dos orixás. Tudo isso encruzilhava-se no violão de Baden. E não há outro violonista brasileiro que sequer possa chegar perto do que ele realizou. [Talvez Rafael Rabello, se não tivesse morrido tão jovem].
Baden é inexplicável. O som que arranca do pinho é ao mesmo tempo sujo, porque ele não tem nada dos maneirismo asuavizadores da técnica clássica, e, no entanto, transparente e cristalino como água de rio depois de um dilúvio de chuvas. E essa transparência só revela um formidável desejo de traduzir [e renovar] uma tradição musical que, nele, parecia inata.
A magia de seus dedos sobre as cordas eram a confirmação de que “a inspiração é uma tensão das faculdades da alma que torna possível o grau de atenção indispensável à composição em planos múltiplos”, como quer Simone Weil. E, em algumas de suas performances é quase impossível juntar no ouvido o modo como ele consegue colar os baixos típicos do choro aos elaborados dedilhados derramando-se sobre as primas, tão característicos da música erudita ao violão.
Em quase qualquer outro país, um músico dessa envergadura seria cultuado como um patrimônio nacional, esculpido em praças, nomeado em avenidas e/ou escolas e edifícios públicos, tema de incontáveis teses em universidades.
O único documentário sério sobre Baden, no entanto, foi produzido pela TV Alemã, chama-se Canto on Guitar [e pode, aliás, ser visto em três partes, na íntegra no Youtube]. O filme documenta a feição do disco homônimo e traz interessantes cenas de bastidores, de um jovem Baden exultante com o resultado dos takes gravados. Ou brincando com seus músicos de apoio.
Mas é também no Youtube que se pode achar um de seus momentos mais sublimes: a execução de seu Prelúdio em Lá Menor para uma plateia polonesa em meados dos anos 80. A longa peça, de nove minutos, se assemelha a alguns dos Estudos de Villa-Lobos. A peça é de desafiar qualquer mão direita ao violão. É sólida, extremamente bem construída. Mas muito mais comovente é a interpretação de Baden. O modo como ele explora a dinâmica da coisa verte todo o amor que ele nutria pelo violão. E uma concentração absoluta parece atravessar seu corpo franzino como uma entidade. E, então, ao final, o cansaço, a expressão de humildade em seu semblante, ao tirar os vastos óculos de hipermétrope e debruçar-se sobre o tampo do instrumento, em contido agradecimento: pura poesia. [Para assistir essa performance, clique aqui].
Este ano o Cine Ceará homenageou Che Guevara. Para quem não sabe, Guevara executou a sangue-frio dezenas de simpatizantes de Fulgencio Baptista contra os muros de Havana durante as escaramuças da revolução em Cuba. Mas é homenageado, no Brasil, em Fortaleza, num festival de cinema. É de se sonhar um dia em que alguém da grandeza de Baden Powell, que ao mundo só legou beleza e poesia, possa ser um nome homenageado em eventos assim. Quem sabe quando gravarem um único filme de respeito sobre ele produzido em seu próprio país.
E é ainda Simone Weil quem nos diz que “o poeta é uma pessoa; no entanto, nos momentos em que atinge a perfeição poética, é percorrido por uma inspiração impessoal. É só nos momentos medíocres que sua inspiração é pessoal; e então não é verdadeiramente inspiração.” Na vasta maioria de suas performances, o autor de “Berimbau” parecia percorrido por essa pulsão impessoal.
Saravá, Baden!
* * *
A Joaquim Cardozo
Com teus sapatos de borracha
Seguramente
É que o seres pisam
No fundo das águas.
Encontraste algum dia
Sobre a terra
O fundo do mar
O tempo marinho e calmo?
Tuas refeições de peixe;
Teus nomes
Femininos: Mariana; teu verso
Medido pelas ondas;
A cidade que não consegues
Esquecer
Aflorada no mar; Recife,
Arrecifes, marés, maresias.;
E marinha ainda a arquitetura
Que calculaste;
Tantos sinais de marítima nostalgia
Que te fez lento e longo
João Cabral de Melo Neto
Este é, talvez, o mais belo poema escrito de poeta a poeta da poesia brasileira. Não soa nada retórico ou derramado. É expresso no tom contido, sóbrio de Cabral. E nele a essência da poesia de Cardozo se faz presente, assim como sua própria personalidade: a discrição, até no pisar silencioso e leve [“sapatos de borracha”]; a inclinação à, com palavras, "pintar" marinhas, às vezes num levíssimo e translúcido guache de aguarela ["o tempo marinho e calmo?"; "teu verso medido pelas ondas"]; a estranha cifra que se esconde por trás de certos nomes de mulheres ["Teus nomes femininos:/ Mariana"]; a presença do Recife, que, aqui, se alça quase como um tropo de memória, história inscrita na individualidade ["A cidade que não consegues/ esquecer/ aflorada do mar;/ Recife”]; o padrão de cálculos para a sinuosidade, repleta de uma sensualidade ondeada e voluptuosa da arquitetura de Niemeyer, de quem Cardozo foi engenheiro calculista ["E marinha ainda a arquitetura/ que calculaste"]; a ausência de pressa no verso e na vida e - em geral, no verso, a predileção pela linha longa - ainda quando fatiada em versos menores por intermeio de um segmento do sentido, de encadeamento [“lento e longo”]: Cardozo publicou seu primeiro volume de poesia, Poemas [1947], aos cinquenta anos e por iniciativa de alguns amigos que praticamente cuidaram da edição quase à sua revelia. O livro conta com um instigante prefácio de Drummond. O poema-encômio de Cabral, acima, no entanto, é de uma rara perfeição. Ele não declara de fora, como num discurso o que o amigo é, mas o faz de dentro de sua própria singularidade. Diferente do tom laudatório ou excessivamente retórico de alguns poemas escritos - inclusive por gente da altura de Drummond ou Bandeira - para seus pares de ofício. É, portanto, mais que um poema de circunstância, a ponto de ser incluído em antologias, entre os melhores poemas de Cabral. Aliás, há mais de meia-dúzia de poemas escritos de Cabral para Cardozo, o que dá testemunho da enorme ascendência do autor de Signo Estrelado sobre o poeta de O Cão Sem Plumas. Em termos de paisagem, no entanto, os dois são quase antípodas: Cardozo é o mar, o mangue, as restingas, o litoral; Cabral, o agreste, o solo gretado e os engenhos de cana. O melhor site sobre Joaquim Cardozo em disponibilidade na rede foi organizado por Maria da Paz Ribeiro Dantas e pode ser encontrado aqui. O site disponibiliza praticamente toda a obra poética do autor de "Recordações de Tramataia". Maria da Paz Ribeiro Dantas é também autora de três instigantes livros sobre o poeta, além de tradutora e poetisa in her own right. Recentemente se publicou, pela Nova Aguilar, um volume de Obras Completas de Joaquim Cardozo - um projeto há muito em trâmite - e que, aliás, me foi enviado de presente, desde o Rosarinho, no Recife, por Maria da Paz Ribeiro Dantas, a quem publicamente agradeço a generosa prenda.
* * *

Certos animais domésticos, antes de muita gente por aí, começam a se tornar importantes. E importar alguma coisa nos dias de hoje é estar apto a consumo, ser um ser para o mercado. Ser consumidor. Há cada vez mais produtos destinados a animais: rações para cada faixa de idade, adereços e conveniências próprias a cada bicho. Coleiras anti-alérgicas, coletes e até hotéis. O número de anúncios de TV usando bichos cresceu bastante nos últimos tempos.
Mas também, sair para passear com os cachorros está se tornando um hábito em certos bairros fortalezenses. A prática não era muito comum só uns poucos anos atrás. E ainda parece um tanto exótica. Vagamente europeia. Ou, quando muito, paulistana. E especialmente paulistana do bairro de Perdizes – onde hoje em dia só é possível caminhar com olhos bem abertos no chão, protegendo-se da absoluta merda.
Animais domésticos podem contribuir positivamente para a economia afetiva de uma família. Cachorros são afeiçoados, atenciosos, um tanto disponíveis. Gatos estão mais para a auto-suficiência e uma certa malandragem arisca. Pássaros são regulares e colorem o ambiente. No caso de papagaios, refletem um tanto o nível de educação de seus donos.
O certo é que já há veterinário agindo como psicólogo. Isso pode soar risível mas deve ter seu lado de verdade. Pelo menos de tanta verdade quanto aquelas psicólogas infantis que, no Jornal Nacional, aconselham os pais a não dizer nomes feios na frente dos pequenos. Ou de que o que eles precisam: “é amor”.
De longe, o episódio mais insólito com animais de que tive notícia foi vivido por um conhecido há cerca de dois anos atrás. Digo insólito porque me falta outro adjetivo.
Ele fora convidado para uma festa. Aquelas reuniões mornas em que professores de pós-graduação reúnem seus orientandos para confraternizar e, veladamente, distribuir futuros encargos ou recrutar outros tantos incautos. Meu conhecido não era orientando. Tão-só amigo de uma. E, logo, sem nenhuma intimidade com os donos da casa. Os anfitriões eram um casal simpático e polido. Meia-idade. Sem filhos. Doutores e pós-doutores. Tão paulistanos quanto a pronúncia italianada de certos gerúndios.
Era inverno. A casa era ampla, nos subúrbios ao Sul de São Paulo e confinava com um riacho que talvez brotasse nas imediações da represa de Guarapiranga, que não distava muito dali. Esse conhecido, um sujeito bastante corpulento, gordo mesmo, chegou relativamente tarde, rebocando um vasto sobretudo – espécie de marca registrada. Descobrindo uma vaga na ponta de um sofá, fincou-se regiamente e com ênfase no macio assento, daqueles que fazem flurp. E, de resto, foi magnificamente servido de uísque e canapés. As conversas eram protocolares, mas havia uma bela uspiana sentada ao lado de meu conhecido, este se comprazia com olhos castanhos claros da menina, e ela desandava a teorizar sobre a função do coro na tragédia grega clássica.
À certa altura, porém, o casal anfitrião começou a dar com a falta do poodle miniatura que tratavam como a um filho. E entenderam dar uma busca coletiva em todos os compartimentos da casa. E quanto mais procuravam mais o bicho desaparecia.
Um tanto alheio à grita geral, sozinho na sala em meio a vozes distantes, meu conhecido ergueu-se para ir ao banheiro. Foi aí que deu com o pobre cão esmagado no sofá. Seu peso fora deamasiado para o miúdo vivente. E aquele flurp longe de ser das almofadas constituíra um suspiro último.
Vexado, seu primeiro impulso, depois de consultar os lados, foi enfiar o miúdo cadáver no bolso do sobretudo. Depois, quando todos já de novo no ritmo da festa, ele seguiu discretamente pelo amplo jardim até a beira do riacho.
E eliminou a prova de tão estranho crime.
Nota - crônica originalmente publicada na extinta revista virtual Nariz de Cera.
* * *

Filmar alicerça em verdade..
E por uma acomodação da fórmula da verdade que se encontra em Santo Tomás. Ele nos diz que “a verdade segue a existência das coisas” ["Veritas sequitur esse rerum"].
Então, a arte refrata a verdade dessa existência. Quanto menos essa existência for refratada, menos haverá arte. É um ponto de partida realista - porém não de um realismo naturalista ou naïf. Mas de um que nos redime de criar somente a partir das criações artísticas pré-existentes. Do acervo ou iventário do criado. Especialmente daquele acervo sancionado pelo prêt-a-porter da onda acadêmica em voga. Da teoriazinha e do elenco de autores da vez.
De momento, há muita voracidade por uma arte vicária, que vive de citações. Ora, só se pode citar algo que está próximo da própria experiência do realizador e se imbrica em seu cotidiano. Ainda que em estranhamento. Qualquer citação que é feita com propósitos apenas eruditos ou “livrescos” recai em desautorização. Não se faz cinema acadêmico, de pós-graduação. Isso não existe. Se faz cinema. Ponto. O mesmo vale para música ou literatura ou pintura ou qualquer modalidade de arte.
Além desse aporte realista, há também o decorum em relação à figura humana. O corpo humano pode ser entrevisto como a obra-prima da criação. Seu ponto culminante. Logo, o tratamento dado a ele deve ser, no caso do cinema, o de tocá-lo com a objetiva somente aquele mínimo suficiente para nele encontrar a emenda necessária à sequencia das ações. Isso equivale a abrir uma enorme cesura para o espaço off, bem como para os objetos, paisagens e outros seres que o cercam. É assim que se implicita, sem fazer força, uma pá de coisas. E este último ponto também indica, entre outras, uma segura direção de arte. Eis porque o still life [a natureza morta], o luzir dos objetos surge tão central nos filmes de Ozu.
Ambos os dispositivos descritos acima – realismo e decorum – apontam para local. O local é o lugar em que seres humanos e coisas se encontram presentificados no cotidiano. Também é o lugar em que seres humanos encontram - veem-se, na dimensão da presença - os corpos uns dos outros. E o corpo humano é algo tão sublime que o austero Pascal dele disse: 'no momento da morte a alma chora porque deve separar-se dessa maravilha que é o corpo'.
O corpo é um local que torna o local local. Não pode ser "vendido" separadamente.
O local é um corpo. Espetacularmente. Especularmente. Esplendidamente. As rugas no rosto da lavadeira, a crosta de sol nas costas do pescador são relevos. Prolongam dunas, lagos, rios. A inércia deles após dias sem conta de trabalho diário sob um sol indiferente. O corpo resulta disso. Da tua conversa com o mundo.
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